terça-feira, 3 de abril de 2018

HISTÓRIA - 10ª CLASSE



Tema 1 – A CIÊNCIA HISTÓRICA

1.1  Conceito e objecto de estudo
A maior riqueza do país são os homens e mulheres, porque são estes que fazem a História, são eles os detentores da cultura. Assim deve ser fomentado o espírito patriótico, a criatividade, a solidariedade, o respeito mútuo, e acima de tudo um pensamento histórico e participado no desenvolvimento do país.
a)A História é a ciência dos homens no tempo. b) É uma ciência humana, na medida em que estuda o homem e a sua evolução ao longo dos tempos.
Segundo Marco Cícero: c)«A História é o testemunho dos tempos, a luz da verdade, a mestra da vida, a mensagem dos dias que não voltarão». d) Segundo Henri Marrou «A história é o conhecimento do passado humano».

 
·         O Homem
·         O Tempo
                 O objecto da História
·         O Espaço
·         As Sociedade
                                          
1.2 A Função social da História
Conhecendo o passado compreenderemos mais facilmente o mundo em que vivemos, podendo assumir consciente e activamente o nosso papel de homens e cidadãos de um país e de um mundo que queremos cada vez melhor: no progresso, no bem estar, na justiça social. Porque a história somos nós que a fazemos no dia-a-dia.

1.3. Metodologia da Análise Histórica
A História só é ciência na medida em que dispõe de um método específico que lhe permite
chegar ao conhecimento do passado humano.
Esse método é constituído pelos processos técnicos que o ciência coloca à disposição das do Historiador; é o conjunto de operações intelectuais que vão da ordenação e avaliação das fontes à aplicação de ténicas que nos permitem conhecer o objecto histórico.
As fontes constituem matéria-prima da História. A primeira tarefa do historiador consiste precisamente na pesquisa criteriosa das fontes históricas.

AS FONTES HISTÓRICAS
Entende-se como Fonte Histórica todo o produto específico da actividade humana, tudo o que testemunha o passado humano, qualquer que seja a sua natureza – arqueológica artística, científica, etnológica, histórica ou literária – ou a sua forma de transmissão – escrita, fotográfica, oral, plástica, radiofónica ou visual. Podemos assim concluir que todos os vestígios que testemunham a presença dos homens de épocas passadas em determinados locais são documentos. Estes podem ser: materiais escritos ou orais, e constituem as Fontes da História.
Fontes materiais – são as ruinas de construções antigas, utensílios domésticos, armas, esculturas, barcos, moedas, que os homens fizeram nos tempos antigos.
Fontes escritas – são todos os documentos escritos quer sejam cartas, contratos, livros, leis, listas de impostos, etc., que as antigas civilizações elaboraram e por feliz acaso chegaram até nós. Para sua interpretação é necessário o conhecimento das várias escritas que os homens inventaram nos vários pontos do mundo, como a hieroglífica, a cuneiforme, a alfabética, a árabe, a chinesa, etc.
Fontes tradicionais ou orais – são narrativas transmitidas oralmente de geração em geração. A tradição oral faz parte da vida das comunidades, é geralmente detida pelos mais velhos e depende da estrutura política da sociedade estudada.

1.4 A Periodização, os seus critérios e problemas 
 Ao estudar História é necessário situar no tempo os acontecimentos; para isso, é preciso ter um
ponto de partida para a contagem dos anos e séculos.
O historiador tem de localizar no espaço (lugar, região, país, continente) e no tempo (dia, ano, século, era) o que reconstitui. Por isso, preocupa-se sempre em situar com rigor os acontecimentos. Estes são colocados pela ordem em que ocorrem e estabelecidos numa escala, a cronologia.
Os antigos Egípcios contavam o tempo a partir do reinado deste ou daquele faraó; os Gregos a partir dos primeiros jogos Olímpicos; os Romanos a partir da fundação da cidade Roma. Nos países de tradição cristã, utiliza-se o nascimento de Cristo para localizar e medir o tempo. Fala-se assim, de anos, décadas, séculos e milénios «antes de Cristo» (a.c) e «depois de Cristo» (d.c.). Os muçulmanos contam o tempo a partir da «Hégira» (fuga de Maomé de Meca para Medina) que corresponde ao ano 622 d.c.

AS CIÊNCIAS AUXILIARES DA HISTÓRIA
Entre as ciências que podem ajudar o historiador, menciona-se a Arqueologia, a Linguística, a antropologia, entre outras.
A Arquiologia estuda os restos das civilizações passadas, enterradas no solo. Cemitérios ou locais de habitação, abandonados há séculos, são escavados pelos arquiólogos que descrevem depois os objectos recolhidos: vasos, utensílios e armas em ferro, ornamentos em cobre, ferro, restos de comida como espinhas de peixe, conchas, ossos de animais domésticos ou selvagens. O arquiólogo poderá pois informar o históriador que em tal lugar e tal data viviam  caçadores, pescadores ou agricultores que conheciam técnicas como a metalurgia ou a cerâmica.
A Linguística ou estudo das Línguas, permite estabelecer o seu grau de parentesco, e provar que um grupo de línguas tem uma origem comum, como é o caso das línguas bantu.
A Antropologia Cultural ou Etnologia estuda aspectos da vida cultural e material das sociedades desde o tipo de vestuário, de rituais religiosos, de danças, aos  utensílios, à habitação – permitindo-nos estabelecer comparação entre as diferentes sociedades actuais e daí deduzir que no passado houve entre elas um certo tipo de relação (filiação, contacto, migrações, dominação etc.)

Tema 2 – ANGOLA: O território e as populações mais antigas

2.1 Vestígios Arqueológicos do Paleolítico e Neolítico
 O Paleolítico abrange o período da pedra, ou seja a era primitiva. Os homens do Paleolítico deixaram alguns vestígios em Angola. Na Lunda, no Congo, no Kwangar e no deserto do Namibe foram encontrados instrumentos de pedra e outros que testificam a presença nestes lugares de  homens do Paleolítico.
Os vários materiais arqueológicos, que retratam o passado dos primeiros habitantes do território angolano, foram encontrados nas estações arqueológica de Tchitundo Hulo e no Kwando Kubango na estação arqueológica do Kwangar. Segundo estudos efectuados, os materiais encontrados nessas estações remontam a um período anterior à nossa era e que está ligado ao homem KHOI-SAAN. 
   
2.2 As comunidades Humanas do Território: Os Khoi-saan e outros
Os Khoi-San são um grupo minoritário, localizado nas províncias do Kwando Kubango e Cunene. Os Khoi-San são a primeira comunidade humana conhecida à habitar o nosso território (Angola). Este grupo comporta os Khoi-San ou Hotentotes e os Kunji, mais conhecidos como Kamusekele, também por Bosquímano (termo pejurativo e rejeitado por estes).
As guerras, as doenças, a fome e a exploração colonial dizimaram os Khoi-Saan, por isso, eles são hoje muito poucos. Os Khoi-Saan não falam nenhuma língua Bantu. Nunca formaram em angola reinos. Viveram sempre em tribos, dependendo das ofertas da natureza, alimentando de frutas e raízes das árvores e vivendo da caça. São de pequena estatura e por isso chamados Pigmóides, pertencentes a família dos Pigmeus. São de cor acastanhada.
Os Khoi-Saan, actualmente vivem no sul de de Angola, Namíbia, África do Sul e Botswana.

2.3 O processo de sedentarização – a economia agrícola
Produzindo agora os seus próprios alimentos, o homem já não necessita de se deslocar frequentemente para os obter. Além disso, o trabalho na agricultura exige que ele se fixe à terra. Após as sementeiras é necessário esperar pela época das colheitas.
Assim, o nomadismo do Paleolítico dá lugar à sedentarização no Neolítico.
A economia de produção vai obrigar o Homem a fixar-se em determinados locais favoráveis às suas actividades.
A economia de produção obrigava a uma maior conjução de esforços para a execução de tarefas mais difíceis ou pesadas.
A medida que se processa o crescimento populacional, os aldeamentos vão-se alargando e as habitações vão-se aperfeiçoando.   

2.4 As Migrações Bantu
Com a descoberta dos metais e a fabricação de instrumentos em metal provocou o desenvolvimento da agricultura e da caça e consequentemente, os grupos tornaram-se numerosos. No entanto a produção era insuficiente, o que provocou conflitos entre os diferentes grupos, razão pela qual alguns grupos deslocaram-se em busca de outras regiões com melhores condições de vida.
Dominando a agricultura e a metalurgia, os diferentes grupos Bantu, que habitaram provavelmente entre o rio Niger e o lago Tchad há milhares de anos, caminharam para Leste e Sul do continente, alcançando as regiões dos Grandes Lagos, o Planalto Luba e a bacia do Zaíre. Nestas deslocações, fixaram-se em regiões que eram habitadas por outrospovos caçadores, recolectores – os Pigmeus, na zona equatorial de áfrica e os Khoi-Saan, mais para o Sul. Entretanto, o desenvolvimento dos Bantu obrigou os Khoi-Saan a abandonarem as regiões em que habitavam e fixaram-se ao Sul do continente.

Distribuição Territorial dos Povos de Angola
A República de Angola é um mosaico de povos, línguas e sobretudo de culturas heterogéneas.
Do ponto de vista etnolínguistico a população de Angola devide-se em vários grupos:
1.     Os Bakongos
Ocupam maioritariamente a zona Norte entre o mar e o rio Kwanza, concretamente a província de Cabinda, Zaíre e Uige.

sexta-feira, 23 de março de 2018

REFLETIR KALUPETEKA À LUZ DO MESSIANISMO AFRICANO

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Em todos os momentos históricos, quase que sempre temos a repetição de factos que tenham acontecido no passado e apenas trajados com uma nova roupagem!...

O grande marco da consciencialização africana começa precisamente com o Pan-Africanismo no início do século XX, com o primeiro encontro histórico dos africanos que teve lugar em 1900, marcando assim o início do fim de um sistema - o colonial.

Figuras como Willian Silvestre, W.E. Du Bois e Marcus Harry, foram os embriões da causa que reclamava um melhor tratamento para a África e os africanos...

Foi justamente o Pan-Africanismo que deu lugar a partir do ano de 1914, ao surgimento de um vasto Movimento Religioso, denominado de Movimento dos Profetas Messiânicos, onde podemos destacar: o Amicalismo de André Matswa (1921) no ex Congo Francês; la Societé Amicale des Originaires de l´Afrique Equatoriale, fundada em França em 1926; A Torre Espreita, na Niassalândia; a Seita de Willian Harry, na Costa do Marfim; o Kimbanguismo, em 1921 no ex Congo Belga; o Tocoísmo, em 1949 em Leopolville (Kinshasa)...

Busquemos a história de alguns destes Movimentos de Profetas Messiânicos, que surgiram no século passado e façamos uma sucinta analogia/reflexão histórico-filosófica e procuremos dar respostas no hoje e no tempo.

A seita religiosa Sétimo Dia a Luz do Mundo de José Kalupeteka é consequência de pesadelos e fenómenos sociais aterrorizante e inquietantes, que teimosamente abalam os povos de Angola e que hoje são respondidos por uma nova evangelização caracterizada na consciencialização de um povo feito escravo na sua própria terra. José Kalupeteka é assim a Aurora de um novo Movimento de Profetas Messiânicos Africanos em ascensão!
A proliferação de seitas evangélicas de matriz pente-costal em toda a extensão da nossa Angola profunda, são sinais evidentes do despertar de elites religiosas angolanas que atendendo o chamado do alto, se martirizam em nome     da causa do Evangelho.

Deixo aqui as seguintes questões: Como eram considerados os Movimentos de Profetas Messiânicos pelos então poderes coloniais em África? E como os primeiros governos de inspiração socialista/comunista saídos das independências africanas olhavam para estes Movimentos? O Tocoísmo por exemplo em Angola até bem pouco tempo atrás, foi considerada seita do mal, tendo sido também acusada em 1984 de práticas indecorosas e tentar contra a então Segurança do Estado. Para muitos isto é coisa do passado, para mim também... mas estes factos devem servir-nos de referência sócio histórica, ajudando-nos a não repetirmos os erros do passado.

Todos os atos de barbárie devem ser veementemente condenados, mas respeitando sempre o Direito e a dignidade da pessoa humana em toda a sua dimensão.


Publicado por Pedro Júnior Zólua


terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

A LINHA DA FRENTE: OBJECTIVOS DA SUA CRIAÇÃO



A Linha da Frente foi a primeira forma de Coordenação e Integração Regionalformalmente reconhecida dos países da África Austral e visava a Mobilização eCooperação de esforços para fortalecer os Movimentos de Libertação Nacional que lutavam contra a opressão colonial na regão.

A 15 de Fevereiro de 1965 os presidentes da Tanzânia (Julius Nyerere), e da zâmbia (Kenneth Kaunda), reuniram-se em Lusaka (capital da Zâmbia) para analisar a situação política na Rodésia do sul (contra o plano da minoria branca de proclamar unilateralmente a independência do território).

A reunião de lusaka marcou o nascimento e o inicio da actividade da linha da frente. Só em 1969 foi utilizada pela primeira vez a expressão PLF.

Em Abril de 1977, os presidentes Agostinho Neto, de Angola, Samôra Marchel, de Moçambique, Seretse Khana, do Botswana, Julius Nyerere, da Tanzânia e Kenneth Kaunda, da Zâmbia, reunidos em Lusaka, intensificaram  esforços e criaram um novo dinamismo para a Linha da Frente, no sentido de rapidamente conseguir-se resultados na luta que visava o derrube do colonialismo e do apartheid na sub região da África Autral.

Os países da Linha da Frente, uniram esforços no sentido de travar as acções de desestabilização militar, desencadeadas pelo regime do Apartheid da África do Sul contra os países independentes da região.

A Linha da Frente, tinha por objectivo a libertação total dos povos e territórios oprimidos e sob dominação política, económica e social na África Austral.

A independência do Zimbabwe foi sem dúvidas uma victória do movimento da Linha da Frente:

Solidificada a organização, os estados independentes da região sentiram a necessidade de se engajarem no seu desenvolvimento socio-económico, com vista à irradicação da pobreza dos países e povos da região. Foi assim que, resolveram criar à 1 de Abril de 1980 em Lusaka a Conferência para a Cooperação de Desenvolvimento da África Austral (SADCC), cujo objectivo era tornar a região forte economicamente e livre da dependência economica que alguns países tinham da África do Sul.

Na Cimeira de 17 de Agosto de 1992 em Windhoek, os chefes de estado e de governo da região, livre do colonialismo, não obstante a guerra civil, que ainda se fazia sentir em alguns países da região (Angola e Moçambique), a Conferência para a Coordenação e Desenvolvimento da África Austral (SADCC) , deu lugar a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), com o objectivo de promover a paz, reduzir a pobreza, melhorar o nivel de vida na região, fomento da cooperação nas estratégias económicas etc...